quinta-feira, 19 de maio de 2011

Declaro quatro cães

Declaro quatro cães:

um ja esta enterrado no jardim,

outros dois me surpreendem,

pequenos destruidores selvagens,

de patas grossas e presas duras

como agulhas de rocha.

E uma cadela grenhuda,

distante,

ruiva em sua cortesia.

Não se sentem seus passos

de ouro suave,

nem sua presença distante.

Só ladra tarde da noite

para certos fantasmas,

que só certos ausentes

escolhidos

a ouçam nos caminhos

ou em outros lugares escuros. Pablo Neruda (1904-1973)

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