quarta-feira, 25 de maio de 2011

Ulisses

O mito é o nada que é tudo.
O mesmo sol que abre os céus
É um mito brilhante e mudo-
O corpo morto de Deus,
Vivo e desnudo.

Este que aqui aportou,
Foi por não ser existindo.
Sem existir nos bastou.
Por não ter vindo foi vindo
E nos criou.

Assim a lenda se escorre
A entrar na realidade,
E a fecundá-la decorre.
Em baixo, a vida, metade
De nada, morre.

O poema refere a Ulisses, herói lendário da Odisséia
e fundador mitico de Lisboa, onde teria aportado numa
das suas navegações.
Para Fernando Pessoa,o mito é energia que se confunde
com as origens. Nesse sentido, a vida é menos
impotante do que o mito, até porque ele é perene.




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