quarta-feira, 25 de maio de 2011

É preciso não esquecer nada:

É preciso não esquecer nada;
Nem a torneira aberta nem o fogo aceso,
nem o sorriso para os infelizes
nem a oração de cada instante.

É preciso não esquecer de ver a nova borboleta
nem o céu de sempre.

O que é preciso esquecer é o nosso rosto,
O nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso.

O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos,
a idéia de recompensa e de glória.

O que é preciso é ser como se ja não fôssemos,
vigiados pelos nossos olhos
severos conosco, pois o resto não nos pertence.

Cecilia Meireles 1901-1964

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